Tuesday, March 13, 2012

dar certo?

esse ensaio curta que nem ensaio é é só um desejo de falar como sempre são os desejos de falar
hoje, lendo Alain de Botton senti o que chamo de identificação pela personagem, seu ensaio sobre o amor é extremamente bem narrado e divertido e verdadeiro, do início, da paixão, dos pequenos detalhes e do detalhe de que o germe do fim estava presente desde o início, como o personagem da comédia romântica adolescente "500 Dias com Ela", enfim....cá estou ouvindo Kavinsky e escrevendo, escrevendo, pensando no Nelson Rodrigues, no Kundera, na Máquina de Dar Certo, nas aulas, nas faltas, no amor, nas pausas dramáticas

como essa

nós seres humanos sofremos uma ebulição constante
nós que nos permitimos viver
nós que sofremos aquela constante vertigem de pular de um alto de um prédio
não de medo...mas de curiosidade
nós que esperamos viver numa vida todas as possibilidades que nos são dadas e que ainda assim são poucas
nós que nos apaixonamos pelos pequenos detalhes de tudo que vemos no cotidiano
que nada tem de monótono
nós que sempre estamos confusos e inseguros

cá estou, mais uma cerveja, mais um cigarro, depois de comemorar uma amizade de 17 anos, cá estou eu querendo criar texto com , sem , sem ordem aleatório, modo random modo diverso, cá lá, sinto saudades dos seus braços, sinto saudades de mim mesmo apaixonado por mim mesmo, sinto saudades do meu reflexo quando me olho no espelho, sinto saudades de mim, sinto que falta algo em mim mas não sei exatamente o que é, talvez maturidade, talvez mais experiência, talvez mais vida

nunca estamos felizes com o que nos basta
nada nos basta
nós não nos bastamos

e surge o escapismo, a vontade de fugir de tudo de todos
em contraposição ao viver tudo...

talvez o que mais me soltaria agora...seria dançar

sem pensar

só dançar

ou cantar...

Friday, February 24, 2012

pra onde vamos agora?

o destino
inexorável
inexistente
ele resiste, ele poda, ele transforma
em dez minutos você é volúvel
instável
inconstante
a confiança em si mesmo vai e vem vem e vai
alcool puro desce garganta abaixo
de repente não é importante ser alguém
você quer ser ninguém durante alguns instantes durante dias meses anos
desaparecer
e você é uma variação sobre o mesmo tema, de si mesmo
é sempre a mesma música no fundo
eu ouço as gargalhadas que vem pra mim
de escárnio
tudo o que mais prezo era risível era debochado
hoje tenho outro elemento
outra coisa que é mais importante, infinitamente mais importante
e assim as gargalhadas continuam lá
na memória
de escárnio
e a porta do destino bateu na minha cara me desprezou me chamou de fraco de inválido de solitário
- é assim então?
mas não, não é um bom dia....é um deplorável dia
de novidades já sabidas
sábios que morrem na penúltima cena também estão dando risada
que saudades de homens com câmeras imaginárias
de sonhos que tornaram-se realidades
destino
ele resiste
a vontade do filho do arquiteto de existir
existência
qual é...assim...
diga-se de passagem meu dia começou acordando nos braços
diga-se que minha tarde começou com a separação
diga-se minha noite terminou com vários copos de vodka pura
sindrome
complexo
peter pan
pra onde vamos agora?
rs...um riso triste
ninguém vai rir

Wednesday, February 08, 2012

tem dias que...

eu me encolho
eu não me movo
aqui - nesse espaço onde as leis da gravidade são corruptíveis
eu vejo meus pares flutuando
sorrindo
estou cansado e não enxergo nenhuma luz no fim do túnel
os adereços estão postos, todos os objetos de cena estão dependurados no ar
no canto eu me encolho eu encolho e coloco minha mão no raio de luz que sai do refletor
minha palma da mão está mais pálida que o normal
e todos declamam seus textos, tão prolixos, tão lixos, tão nada
e todos os que importam estão aqui
ele me olham do meu sofá e no fundo o céu está nublado anunciando uma tempestade imensurável
estão todos...d.m.t.a.y.m.c.d.b.
e seus olhos estão tristes, lacrimejantes, melancólicos
eu não consigo falar, cantar, contar uma piada
eu só olho, encolho, encolhido
no meu canto a música chega bem baixinha
vai além do consumo, da alegria fria, das besteiras do carinho, a necessidade do amor
esse ser voluvel e auto destrutivo que me engole, me encolhe no canto encolhido
eu tento me mover
e enquanto todos flutuam grandes tentáculos de mundo submergem do palco e tragam todos pro submundo
e todos no sofá começam a sair, um a um,
eles balançam a cabeça com pesar, com negação
- desculpe, eu não consegui, eu não sou forte o bastante, desculpe
a angústia me engole por dentro, um buraco negro no meio da alma
a má administração do meu coração está correndo porta afora gritando em alto e bom som
- motim
- morfina, por favor
é só o que peço
a criança dentro de mim cada vez mais morta, cada vez mais longe, ela foge junto com as figuras do sofá
- adeus
eu não me movo
eu só encolho
no canto
encolhido

Wednesday, January 11, 2012

em direção ao oceano

ele está sentado na frente do computador
fumando um cigarro mentolado e tomando uma cerveja quente
porque decidiu desligar a geladeira
as camadas de gelo do congelador estavam tomando a cozinha inteira
pra fritar um ovo pela manhã ele tinha que colocar aqueles casacos de esquimó
está em frente ao computador tentando escrever alguma coisa
coisas a fazer:
a) um e-mail para a mãe pedindo dinheiro emprestado
b) pagar uma conta no banco via internet
c) mandar um e-mail declarando seu amor
d) baixar a segunda temporada do The Walking Dead
e) escrever um conto
ele pensa, ele pensa, e ele pensa de novo
nada a fazer - já diria o sábio
ele começa:
mãe...sabe o que é...eu não paguei a luz do mês passado
apaga tudo
ele começa:
o site do bradesco não parece seguro essa hora da madrugada
ele começa:
eu acho que estou apaixonado por você...
ele apaga tudo
ele começa:
o download está demorado demais
ele cancela
ele começa:
ele está sentado na frente do computador
acende mais um cigarro mentolado e vai buscar mais uma cerveja quente na cozinha lago,
porque o gelo já derreteu
ele volta e respira fundo, tira as teias que estão no teclado
ele começa de novo:
um dos melhores elogios que já me fizeram foi me comparando ao abismo kunderiano
quando você disse que iria colocar cores de almodovar na minha realidade burtoniana
eu perdi o chão, eu perdi o céu, eu perdi o controle do que estou sentindo
ele apaga
ele coloca Nina Simone cantando Feeling Good
quando o sopro entra ele desgruda da cadeira e dança na água que está tomando o escritório
ele começa mais uma vez:
mãe...sabe o que é...eu não paguei a água do mês passado
ele apaga mais uma vez
ele começa interminavelmente sempre:
a melhor escolha que fiz foi ver os fogos de artifício explodindo do seu lado
a melhor coisa que fiz foi confira em você
a melhor coisa que escolhi foi ficar com você
ele apaga interminavelmente sempre:
ele volta a grudar na cadeira, a água já está nos seus joelhos
ele precisa começar isso:
essa espera interminável de dias que passam e eu não te vejo são como tempo perdido
tempo não vivido, tempo perdido,
eu perco meus dias assistindo filmes repetidos incessantemente pra ver as horas passando
pra que o calendário chegue mais perto da data esperada
perco meus dias visitando exposições sem olhar a arte que está na minha frente
passo os dias bebendo pra saber se o alcool consegue me fazer hibernar até lá
(mas ele só me faz ir ao banheiro)
ele apaga tudo, especialmente a última parte
a água passou dos quadris
ele escuta Collective Soul tocando Run, clichê ele sabe, mas ele gosta
está no seu Diversos IX, ou X
ele começa logo porque logo estará morrendo afogado:
cada detalhe do seu corpo, do seu rosto está impresso na minha memória
cada toque que eu relembro no meu corpo não chega aos pés da realidade que é ter você do meu lado
eu pensei que iria esquecer, que o tempo iria passar, até fiz outra pessoa me querer
no meio do caminho de um simples pensar eu desisti
porque você me preenche todos os pensamentos, só não mais do que uma pequena coisinha birrenta
ele apaga porque a água já está chegando no computador e ele pode quebrar a qualquer momento
ele começa pela última vez:
ainda dá tempo de uma última música, ele escolhe Beirut - Goshen
não existe, não pode existir comparação, você é única
e nessa individualidade você me conquistou de tal forma que eu me sinto
vulnerável
eu tenho medo
mas eu quero tentar
a água encobre toda a casa
ele sai nadando em direção ao mar...

existir

o dom que nós temos, o dom que nos foi dado, que criamos que amadurecemos que alimentamos no decorrer de nossa vida, nossa ínfima vida que se passa num segundo nunca é completamente aproveitado nunca é vivido, sentido, ele é deixado de lado na maioria das vezes ele é impaciente e orgásmico mas ele pode ser adormecido e pode ficar lá nos braços de morpheus a sua vida inteira e então quando você está no fim, no último suspiro percebe que não viveu de verdade que sua vida foi uma mentira pra todos pro mundo pra você mesmo e assim te enterram te esquecem te deixam de lado e assim nada foi importante nada mudou nada transformou nada fez diferença e é um mundo muito grande pra você não fazer diferenças...somos sete bilhões de pessoas e se todas fizessem diferença se todas as sete bilhões de pessoas fossem geniais como seria o mundo hoje, talvez perfeito, talvez ele não existisse, talvez eu não estivesse aqui escrevendo esse texto
senhoras e senhores, leitores e leitoras, de onde tiramos nossas forças para continuar existindo a não ser do nosso cotidiano repetitivo e com momentos de luz, e achamos que nesses momentos de luz nós somos alguma coisa, nós servimos pra alguma coisa, pra alguém
nosso cotidiano de pequenas coisas que são incríveis e não conseguimos enxergar não conseguimos perceber o ar que nos cerca a luz que nos atinge nossas sensações são jogadas no lixo da não percepção
sintam
por um instante sintam isso
como vocês enxergam o mundo
como o mundo enxerga vocês
coloquem as suas músicas favoritas pra tocar e se permitam sentir durante três, cinco, dez minutos
do que é feita nossa existência
agora nesse instante ela é feita de tempo, de espaço e de algo além disso que não sei dar uma nomenclatura clara
e agora vocês devem pensar que isso somente é um vômito bêbado de uma tentativa de artista
é o que sou é o que sei que sou e é o que sei que luto para deixar de ser
o que é o certo? o que é o errado? essas questões estão claras? porque elas parecem clichês mas ainda não são depois de dois três quatro sei lá quantos mil anos de existência, nós seres humanos ainda não sabemos
o que me faz lembrar alguns dias atrás eu peguei a carona com um rapaz chamado Ronei num trator no meio de um cafezal nos arredores de Campo do Meio, direção a Itaci, duzentos habitantes, o que ele tinha para me contar era o quanto ele queria voltar praquela terra, praquelas minas gerais, praquelas histórias de infância e aquela era sua história, aquela era sua certeza
e como somos bobos nós aqui buscando certezas tão díspares tão contraditórias
mas no fundo nós somos todos iguais, temos carne, pele, sangue, vísceras e todos estamos em busca de uma coisa só: felicidade
cada um a sua maneira, mas para isso nós, eu, acredito que meu dom, minha tentativa de dom deve ter alguma ligação com essa eterna busca
a minha história começa em três de setembro de mil novecentos e oitenta e cinco
ator, diretor, escritor, dublador, barman, professor, amante, apaixonado, pai
ela termina em algum lugar
...
mas não esqueçam
é só um vômito bêbado de uma tentativa de artista

Monday, January 09, 2012

year one (de novo?)


a inspiração vem da seguinte forma:
ou você está muito mal, naqueles momentos, eu criei uma simbiose com o sofá ou então saio de casa dez vezes por dia de pijama e óculos escuros para comprar cigarros no local mais próximo, e não importa qual cigarro seja...
ou você está muito bem, naqueles momentos, eu penso que o mundo é um grande musical com a julie andrews, ou você acorda cedo e toma uma vitamina e sai correndo no parque mais próximo, mesmo não tendo qualquer condicionamento físico pra isso...
ou você está nada...desses casos eu já não tenho um exemplo específico...acho que simplesmente é nada

de qualquer forma, celebrar minha vinda, boas vindas a 2012, o ano do fim do mundo, e deixa eu dizer uma coisa pra todos vocês, o mundo não acabou, ainda, e também o indíce de suicídios pelo planeta foi bem menor do que o esperado, para o alívio dos bondosos e tristeza dos sádicos espectadores do telejornalismo brasileiro

(nota: meu blog ainda não se adequou a nova regra ortográfica, o que deveria ocorrer a partir deste post, enfim...)

como podem ver um pouco mais ácido, um pouco mais sensacionalista, da minha forma, um pouco mais coloquial, um pouco mais apaixonado, pela vida, por incrível que pareça...pois é...eu acordei essa manhã e corri...dez minutos...mas corri...e nada como sentir muita dor nas pernas pra parar em frente ao computador e decidir escrever algumas palavras de feliz ano novo para os meus mesmos de sempre três leitores (incluindo minha mãe),

vejo sempre um seguidor novo..agora são onze...quem são vocês pessoas do mundo? caíram aqui por acaso? sei que um de vocês é minha mãe....mas os outros dez são uma incógnita, falem comigo...não sejam mudos, e se vocês escrevem coisas como eu por aí, mil perdões por não conseguir ler o que vocês escrevem, provavelmente melhor do que eu escrevo, ou coisas mil vezes mais interessantes das que eu escrevo,

trilha sonora do dia: David Byrne num dia ensolarado cantando Home ou Life is Long, para cantar no banheiro...

tem início aqui no dia 09 de janeiro a minha coluna anual, mensal, semanal, ou diário, dependendo do estado de espírito...pra quem sempre quis ter uma rádio pirata e nunca conseguiu ou correu atrás da aparelhagem adequada isso aqui já basta

tenham um bom ano, uma boa vida e até um dia...

Wednesday, September 14, 2011

esboço de qualquer coisa

descabelado ele olha a paisagem penumbra poluída urbana pré-ristórica


um gole de cerveja (long neck a mais cara possível)

percebe-se que ele está nessa posição a milhares de anos, a cerveja está quente

tudo a sua volta junta poeira mofo teias de aranha brinquedos velhos quebrados

calado ele olha a paisagem esperançosa de re-amanhecer de um novíssimo dia

o cigarro está quase no fim o fim do décimo maço está quase no fim

as articulações não devem estar mais funcionais se ele trocou o óleo eu não sei

as imagens são as mesmas todos os segundos que ele fica parado

como se sua desarmonia estivesse em sintonia com o mundo

seu estado de quietude se espalha pela cidade, estranhamente silenciosa silenciada

pela imaginação talvez

ele lembrava de uma música, acho que era placebo, pra cantarolar naquela cobertura

você quer saber como dói em mim

acho acha que era isso, uma coisa assim

a pele está suja gasta velha gasta maltratada velha mofada também gasta

um fragmento do seu cérebro está a sua frente grudado a laje

quando atirou nos próprios miolos não imaginava que ficaria lúcido são e pudesse ficar preso lá em cima olhando os próprios miolos espalhados formando uma bela imagem se alguém passasse de helicóptero pra tirar uma foto de lembrança o problema maior é que ele ficou acordado e o cigarro está quase no fim

do décimo maço sobraram as carcaças como a sua

a vontade de mijar ou cagar é psicológica eu sei só pode ser porque não sobram muitas coisas a serem feitas depois de tudo

antes de tudo as coisas eram assim:

Thursday, September 08, 2011

quem vai saber?

tal qual uma picada de bichinho verde azul anil verde lilás causou-me espanto repentino assim sem mais nem menos e eu estranho não soube responder a teus olhos oblíquos e dissimulados a boca torta de timidez não me deixava completar um raciocínio simples de soma de possibilidades informativas que carregamos adiante boi atrás de boi, boi atrás de carro, e nesse meio tempo eu criava das palavras uma cabana frágil de frases tão mal feitas de tão ingênuas, estrelas de pensamentos, um cometa caindo bem devagar, só um bocadinho banal e cotidiano, imaginando como seria estar assim no meio dos teus suaves (assim os imagino) suaves braços, amor regional de tão sincero sinceramente é motivado por um quebranto impossível de se quebrar, eu sei que nessas veias correm impulsos elétricos de duzentos e vinte volts watts, quando isso vai parar? assim era a ruiva crítica de música do chicago post, as ruivas críticas de música insistem em aparecer e desaparecer como uma visão, uma miragem que não engana os sentidos de tão rápida que some, esse estado faminto de sentimentos exalando púrpuras rosas imaginárias que saem das telas de um rembrandt, um modigliani, um basquiat...não fuja, fuja o mais rápido possível do que não é irreal e caia de braços erguidos nos meus sonhos, porque querer demais não seria sonhar demais, ou é o oposto do oposto do oposto, resto aqui jaz meu resto com marlboros e guaranás, e visitando nelson leirner eu lembro das minhas opções estéticas plásticas nas aulas de arte da quarta série quando a professor entregava uma folha e dizia: desenho livre, hoje eu dou uma folha pros meus alunos, em homenagem a professora midori (que quer dizer verde em japonês) e digo: livre-se do seu desenho, nós somos uma triste e alterada versão dos nossos pais
eu acho que eu perdi minha linha de raciocínio...
ah sim, cá estava eu cavalgando feliz na minha linha lírica de raciocínio e você surgiu bela, esbelta, os movimentos tão delicados que parecia que tudo o que tocava era feito de algodão, um charme ao esconder o rosto e só deixar transparecer os olhos curiosos, me devorando de curiosidade, mal sabendo que a paixão fulminante se debatia como anjos e demônios de desenhos animados na minha cabeça, como pode tanta perfeição ser idealizada textualmente e ser mais interessante que a realidade, você acredita nisso? e eu ficava sem palavras tentando porcamente bater charme com charme movimento contra movimento ação e reação em vão, inútil tentativa, se desvencilhava dos meus olhos bobos e esgueirava-se por entre quadros, livros, discos e memórias para tentar entender o que era, o que eu sou, enquanto eu só tinha sua aparição, assim, criada num fim de tarde fictício,
e depois de tantas verdades jogadas ao vento
eu te levava pro andar de cima,
pro quarto
e aqui eu paro minha narrativa, existem coisas que devem ficar em segredo, existem coisas que devem acabar antes mesmo de começar, existem coisas que devem ser deixadas para a imaginação
complete como quiser